Noções Básicas da Bíblia – Lição 03

Tempo de leitura: 05 minutos.

Lição 3: Por que fazemos coisas ruins?

Todos nós já fizemos coisas ruins. Sabemos que são erradas, mas as fazemos mesmo assim. Quando fazemos o que Deus nos ordena a não fazer, ou deixamos de fazer o que ele nos ordena a realizar, chamamos isso de pecado. Pecar é agir contra a vontade santa de Deus.

Fazemos essas coisas erradas porque herdamos uma natureza pecaminosa de Adão, o nosso representante no Jardim do Éden. Quando Adão desobedeceu a Deus, trouxe o pecado ao mundo e, com ele, a morte. Desde então, todos os seres humanos nascem pecadores, como nos ensina a Palavra de Deus:

  • “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12);
  • “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23).

A Confissão de Fé de Westminster (CFW) reforça essa verdade ao afirmar:

  • “Dessa corrupção original, pela qual ficamos totalmente indispostos, adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo mal, é que procedem todas as transgressões atuais” (CFW 6.4).

Quando pecamos, ofendemos profundamente a Deus. Nossa natureza decaída, resultado da queda de Adão, nos impede de compreender a verdade sobre Deus e a nós mesmos. O pecado corrompe nosso coração e nos afasta de agir conforme a vontade de Deus. Mesmo as ações que consideramos “boas” não são realmente boas se não forem feitas para a glória de Deus.

O apóstolo Paulo deixa isso claro em Romanos:

  • “Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3.10-12).

O pecado nos torna egoístas, gananciosos e insensíveis. Somente Deus pode transformar nossos corações corrompidos pelo pecado. E foi por isso que Jesus Cristo veio ao mundo: para redimir seu povo e pagar por seus pecados. Assim como Adão nos representou no Éden, trazendo a queda para toda a humanidade, Jesus nos representou na cruz, morrendo pelos eleitos e garantindo nossa redenção.

O Catecismo Maior de Westminster explica como Cristo é o nosso Redentor:

  • “Os crentes verdadeiros, em razão do amor imutável de Deus, do seu decreto e pacto de lhes dar a perseverança, da união inseparável entre eles e Cristo, da contínua intercessão de Cristo por eles, do Espírito, e da semente de Deus que permanece neles, nunca poderão, total e finalmente, cair do estado de graça, mas são conservados pelo poder de Deus, mediante a fé para a salvação” (CMW, Pergunta 79).

A obra de Cristo é única e suficiente para salvar seu povo. Ele viveu uma vida perfeita e morreu em nosso lugar, tomando sobre si o castigo que merecíamos. Sobre essa justificação, o Breve Catecismo de Westminster nos ensina:

  • “Justificação é um ato da livre graça de Deus, no qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos diante dele, somente por causa da justiça de Cristo a nós imputada, e recebida só pela fé” (BCW, Pergunta 33).

Além de nos justificar, Deus também nos santifica. Ele transforma nossos corações, capacitando-nos a viver de acordo com sua vontade. A Confissão de Fé de Westminster explica:

  • “Os que são eficazmente chamados e regenerados, tendo sido criado neles um novo coração e um novo espírito, são, além disso, santificados, real e pessoalmente, pela virtude da morte e ressurreição de Cristo, por sua Palavra e pelo seu Espírito, que neles habita; o domínio do corpo do pecado é neles destruído, as suas várias concupiscências são mais e mais enfraquecidas e mortificadas, e eles são mais e mais vivificados e fortalecidos em todas as graças salvadoras, para a prática da verdadeira santidade, sem a qual ninguém verá a Deus” (CFW 13.1).

Portanto, a redenção em Cristo não apenas nos livra da culpa do pecado, mas também nos dá um novo coração, tornando-nos capazes de amar a Deus e obedecer à sua vontade. Essa santificação é uma obra contínua do Espírito Santo, que molda a vida dos crentes de acordo com a imagem de Cristo.

Conclusão.

Por que fazemos coisas ruins? Porque herdamos uma natureza pecaminosa de Adão, que nos torna inclinados a desobedecer a Deus. No entanto, Deus, em sua infinita graça, enviou Jesus Cristo para redimir seu povo, pagando pelos pecados e nos justificando diante dele. Não apenas isso, mas ele também nos santifica, renovando nosso coração para que possamos viver para sua glória.

Como a Confissão de Fé de Westminster afirma, Deus é o autor da nossa salvação e perseverança. Nosso chamado é glorificá-lo e viver em obediência à sua vontade, não pelos nossos méritos, mas pela graça de Cristo. Assim, nossa redenção é garantida não por nossas obras, mas pelo sacrifício de Jesus, o único que pode nos salvar e nos transformar para sempre.

Perguntas para estudo.

1. Como a queda de Adão impacta nossa natureza humana e nossa inclinação ao pecado, segundo a Bíblia e a Confissão de Fé de Westminster?

2. Por que as ações que realizamos, mesmo aquelas que parecem boas, não são verdadeiramente boas se não forem feitas para a glória de Deus?

3. De que maneira Jesus Cristo nos representa como Redentor, contrastando com a representação de Adão na queda?

4. Qual é o papel da justificação e da santificação na vida dos crentes, conforme explicado no Breve Catecismo e na Confissão de Fé de Westminster?

5. Como o entendimento da perseverança dos santos nos ajuda a confiar em nossa salvação e no poder transformador de Deus?


Acompanhe as lições dessa série aqui.


Noções Básicas da Bíblia – Lição 3: Por que fazemos coisas ruins? © 2024 pelo Instituto Genebra de Estudos Reformados está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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