Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 21

Tempo de leituras: 04 minutos.

Pergunta 21: Quem é o Redentor dos eleitos de Deus?

Resposta: O único Redentor dos escolhidos de Deus é o Senhor Jesus Cristo,[1] que, sendo o eterno Filho de Deus, se fez homem,[2] e assim foi e continua a ser Deus e homem em duas naturezas distintas, e uma só pessoa, para sempre.[3]

PROVAS BÍBLICAS.

Prova 01:

  • 1Timóteo 2.5: Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.

Prova 02:

  • João 1.14: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Provas 03:

  • Romanos 9.5: Deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém!
  • Colossenses 2.9: Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.
  • Hebreus 13.8: Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.

Comentário.

Em nosso comentário da última pergunta, vimos que o Senhor Jesus Cristo é o mediador da Aliança da Graça e, portanto, o chefe federal dos eleitos. Nesta pergunta, somos ensinados explicitamente que Cristo, como tal, é nosso Redentor. Também aprendemos como ele, sendo o Filho eterno de Deus, a segunda Pessoa da Divindade, poderia se tornar nosso representante, ou seja, que ele se fez homem.

Antes de examinarmos as circunstâncias da encarnação, é importante entendermos o significado do título e nome atribuídos ao Filho de Deus, “Senhor Jesus Cristo”. Primeiro, ele é chamado de Senhor por causa de sua soberania e domínio absolutos e universais. “Ele é Senhor de todos” (At 10.36). Segundo, ele é chamado de Jesus porque “ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.21). O nome Jesus é a versão grega do hebraico Josué, que significa “Yahweh é Salvador”. Em terceiro lugar, ele é chamado de Cristo porque foi ungido com o Espírito Santo pelo Pai (At 10.38; cf. Sl 45.7). A palavra Cristo significa ungido e é equivalente à palavra hebraica “Messias” (cf. Dn 9.25-26, que é traduzida como “cristo” na Septuaginta).

Cristo teve que se tornar homem porque: primeiro, somente um homem pode representar outro homem sofrendo sua punição em seu lugar. Como o salário do pecado é a morte, Cristo se tornou homem para morrer e derramar seu sangue por aqueles que são seus (cf. Hb 9.22). Em segundo lugar, ele assumiu a natureza humana para que pudesse ser um sumo sacerdote por eles, a fim de reconciliá-los com Deus (Hb 2.16-17).

Mas Cristo também precisou continuar sendo Deus porque: primeiro, ele teve que sofrer infinitamente, já que a ofensa do homem contra Deus é de magnitude infinita, sendo Deus infinito. Assim, Paulo nos diz que a Igreja foi comprada com o próprio sangue de Deus (At 20.28). Em segundo lugar, se Cristo fosse apenas um homem, ele não poderia ter suportado o peso da ira de Deus acumulada sobre ele por causa dos pecados dos eleitos. Em terceiro lugar, como foi Deus quem foi ofendido pelo homem, para que Deus pudesse genuinamente perdoá-lo, ele mesmo teve que tomar sobre si o castigo.

Portanto, Cristo não apenas se fez homem, mas tomou sobre si um “verdadeiro corpo e uma alma racional” (BCW pergunta 22), enquanto mantinha sua divindade. Ou seja, Cristo se tornou o theoanthropos, o Deus-Homem, sendo totalmente Deus e totalmente homem. Assim, embora Cristo seja uma pessoa, ele tem duas naturezas distintas, uma humana e uma divina, que estão hipostaticamente unidas desde a encarnação.

Dessa forma, Cristo “se deu em resgate” (1Tm 2.6), pagando o preço com seu próprio sangue pelos eleitos. “Não foi com coisas corruptíveis, como prata e ouro, que fostes resgatados” (1Pe 1.18).

Perguntas para reflexão e estudo.

1. Por que é significativo que Cristo seja tanto o mediador da Aliança da Graça quanto o chefe federal dos eleitos? Como esses papéis se relacionam com sua função como Redentor?

2. Qual é a importância dos títulos “Senhor”, “Jesus” e “Cristo” atribuídos a Jesus no contexto da sua missão redentora? Como cada título revela um aspecto essencial de sua pessoa e obra?

3. De que maneira a encarnação de Cristo foi necessária para que ele pudesse representar a humanidade e oferecer o sacrifício pelos pecados dos eleitos?

4. Por que Cristo precisava continuar sendo Deus durante sua missão redentora? Como sua divindade foi essencial para suportar a ira de Deus e assegurar o perdão dos pecados?

5. O que significa dizer que Cristo é o “theoanthropos”, o Deus-Homem? Como o fato de ele ter duas naturezas distintas (humana e divina) é crucial para a compreensão da obra de salvação?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 21 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2021, 2024 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em Setembro de 2024. Publicado originalmente em 10 de Outubro de 2021].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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