Tempo de leitura: 20 minutos.
Por R. Scott Clark.1
Introdução.
Poucos documentos confessionais reformados são tão valiosos e, ao mesmo tempo, tão negligenciados quanto os Cânones de Dort. Hoje, a maioria dos que os conhecem os associa aos chamados e muito enganosos “Cinco Pontos do Calvinismo” ou TULIP. No entanto, é tanto anacrônico quanto reducionista se referir a eles como “Cinco Pontos do Calvinismo”, pois Calvino já havia falecido há cinquenta e quatro anos quando o Sínodo de Dort se reuniu na Holanda. É reducionista porque os Cânones nunca tiveram a intenção de ser uma declaração completa da fé reformada. Eles foram o resultado de deliberações eclesiásticas sobre a tentativa de alguns membros da igreja reformada na Holanda de revisar fundamentalmente nossas doutrinas sobre Deus, o homem, a salvação, a igreja e os sacramentos. Além disso, o que as igrejas estavam defendendo era a Palavra de Deus conforme confessada por elas, e não as formulações de um único pastor, por mais significativas e influentes que fossem.
PANO DE FUNDO.
Exteriormente, havia pouco no jovem Jacob Arminius (c.1560–1609) que indicasse sua insatisfação com a Reforma Protestante. Nascido em 1560, em Utrecht, ele cresceu na igreja reformada. Sua família foi martirizada pelos espanhóis enquanto Arminius ainda estava na escola, e ele foi sustentado financeiramente por membros da igreja reformada. Arminius foi estudante na famosa Universidade de Leiden e, de lá, seguiu para Genebra, onde estudou com Theodore Beza (1519–1605).
Considerando que ele aprendeu teologia com teólogos reformados em Leiden e Genebra, não é fácil explicar por que Arminius acabou se tornando, digamos assim, um arminiano. Uma teoria é que ele reagiu à teologia de Beza, mas há pouca evidência que sustente essa ideia. Os escritos de Arminius durante seus anos como estudante não mostram sinais de qualquer mudança teológica. Além disso, essa teoria baseia-se em uma caricatura ultrapassada e insustentável da teologia de Beza. Se Arminius de fato reagiu contra o supralapsarianismo de Beza,2 Beza não estava ciente disso, pois escreveu uma carta de recomendação para Arminius.3 Outra teoria sugere que a mudança de Arminius pode ser atribuída à sua adoção da lógica e pedagogia ramista, mas essa hipótese não explica muitas exceções. Caspar Olevianus (1536–1587), amigo e aluno de Beza, um teólogo ortodoxo que ajudou a formar a aliança reformada e foi editor do Catecismo de Heidelberg (1563), era ramista, assim como William Perkins (1558–1602) e William Ames (1576–1633), cuja ortodoxia reformada nunca foi questionada.
Arminius, no entanto, usou Genebra como base para realizar viagens de estudo a Basileia, Zurique e Pádua, onde estudou com acadêmicos de diversas origens. É possível que essas viagens, combinadas com alguns de seus contatos em Leiden, como Caspar Koolhaas (1536–1615), tenham contribuído para seu desejo de revisar a teologia reformada. Koolhaas, por exemplo, foi um ministro reformado em Leiden que mais tarde foi disciplinado pelas igrejas reformadas por se recusar a assinar a Confissão Belga. Se Arminius foi influenciado por teólogos romanistas durante sua viagem à Itália, isso é contestado, mas há algumas evidências dessa influência nos textos que ele atribuiu quando começou a lecionar na faculdade de teologia em Leiden e em seus escritos. Uma possível explicação para sua mudança teológica pode ser encontrada em seu desejo de explicar o problema do mal, enraizado em sua tristeza pelo massacre de sua família e sua consequente luta com o problema do mal e da soberania divina.4 Durante esse período, possivelmente durante sua visita a Pádua, ele entrou em contato com a obra de Luis de Molina (1535–1600). Como resultado, Arminius parece não ter apenas rejeitado o supralapsarianismo e o infralapsarianismo, mas também adotado a doutrina do conhecimento médio (media scientia) como parte de sua teodiceia.5
Como concluíram Gisbertus Voetius (1589–1676), que foi aluno de Arminius em Leiden, Francis Turretin (1623–1687) e J.H. Heidegger (1633–1698), a doutrina do conhecimento médio, que postula que Deus soberanamente organiza as circunstâncias, mas não decreta as escolhas de criaturas contingentes, torna Deus dependente dos seres humanos e é incompatível com uma doutrina cristã de Deus.
Após seus estudos, Arminius finalmente retornou a Amsterdã para ser examinado pela classis (presbitério) em 1587. Ele foi aprovado em seu exame e chamado para o pastorado na cidade. Em 1590, casou-se com uma mulher de uma família influente.6 Uma razão para acreditar que a teologia de Arminius mudou significativamente durante suas viagens de estudo a partir de Genebra é que, quase imediatamente após assumir seus deveres pastorais em Amsterdã, ele se viu envolvido em uma controvérsia por causa de sua série de sermões sobre Romanos. Em Romanos 7, ele concluiu que Paulo não estava falando de si mesmo como cristão.7 Arminius argumentou que Paulo havia adotado a persona de um homem sob a lei.8
Em Romanos 9, Arminius afirmou defender a justificação sola gratia e sola fide, mas estabeleceu um sistema no qual Deus elege com base na fé prevista (fides praevisa).9 Esses sermões provocaram uma forte reação na igreja, liderada por Petrus Plancius (1522–1622), considerado o pai das missões reformadas. No entanto, Arminius não foi disciplinado por seu consistório ou classis, provavelmente devido à proteção de apoiadores influentes.
Menos conhecido é o fato de que Arminius rejeitou a doutrina protestante da justificação sola fide, transformando a fé, em vez da justiça alheia de Cristo, no elemento imputado.10 Parte de sua motivação para essa revisão foi sua preocupação de que a doutrina protestante da justificação tornasse os crentes negligentes em relação à sua santificação.11
A Crise.
Apesar da controvérsia em torno dos ensinamentos de Arminius, em 1603 ele foi chamado do pastorado para ocupar uma posição na faculdade de teologia em Leiden. Sua nomeação foi controversa, e os governadores da universidade solicitaram por duas vezes que Franciscus Gomarus (1563–1641) investigasse as visões de Arminius. Embora Gomarus suspeitasse que Arminius fosse heterodoxo, ele nunca conseguiu provar isso de maneira satisfatória para os governadores ou para as autoridades civis erasmianas.
Durante sua carreira na Universidade de Leiden, Arminius atraiu seguidores entre os estudantes, que mais tarde se tornaram pastores e espalharam seus ensinamentos pela igreja. Ele faleceu em 1609, e seus apoiadores buscaram substituí-lo por um teólogo ainda mais controverso, Conrad Vorstius (1569–1622), que havia estudado em Heidelberg, Herborn e Genebra, entre outros lugares. No entanto, Vorstius era suspeito de ter simpatias socinianas. Gomarus ficou tão indignado com a nomeação que abandonou a universidade. No entanto, Vorstius nunca chegou a assumir o cargo.12
Nesse ambiente fervilhante de controvérsia, suspeitas mútuas e recriminações, surgiram os cinco pontos dos Remonstrantes, que cristalizaram as questões em debate.13 Apesar das incertezas sobre o que Arminius estava ensinando, ficou claro o que os arminianos defendiam. O primeiro artigo afirmava que Deus elege com base na fé, obediência e perseverança previstas.14 Eles revisaram a doutrina da expiação, argumentando que Jesus não morreu como substituto para realizar a redenção dos eleitos, mas sim “por todos os homens e por todo homem”, tornando a redenção possível para aqueles que cumprirem as condições. Os terceiro e quarto pontos dos Remonstrantes devem ser lidos em conjunto, pois o que eles concederam no terceiro, retiraram no quarto, onde confessaram a resistibilidade da graça. O Sínodo de Dort responderia a esses pontos combinando o terceiro e o quarto pontos da doutrina. O quinto ponto dos Remonstrantes era, para ser franco, hipócrita. Após sugerirem a possibilidade de cair da graça, o que sugeriram explicitamente no quinto ponto, eles ainda afirmaram timidamente que não tinham chegado a uma conclusão.15 Sua rejeição da doutrina reformada da perseverança, obviamente, devastou a doutrina protestante da segurança e empurrou as igrejas reformadas de volta à teologia da aliança franciscana, contra a qual Lutero se rebelou no início do século XVI: “Àqueles que fazem o que está ao seu alcance, Deus não nega a graça”.16
A Crise se Intensifica.
Como os seguidores de Arminius foram, em sua maioria, eclesiasticamente separados das igrejas reformadas por séculos, é fácil perder de vista que a crise arminiana inicialmente ocorreu dentro das portas da igreja reformada. Apesar das sérias reservas sobre sua teologia e ensino, expressas por Plancius e outros ministros de seu presbitério, bem como por seus colegas Gomarus e Lucas Trelcatius Jr. (1573–1607), Arminius foi e permaneceu um ministro em boa posição na igreja reformada da Holanda. O fato de ele ter conduzido seu ministério e falecido dentro da igreja agravou o problema, pois, na ausência de qualquer pronunciamento eclesiástico inequívoco, isso permitiu que seus defensores argumentassem que “ele era um ministro em boa posição”. Dessa forma, os remonstrantes defenderam seu direito de ensinar suas revisões da teologia reformada dentro dos limites da igreja. Eles também fizeram campanha ativa, com a ajuda de magistrados civis simpáticos, para revisar a Confissão Belga (1561), a ordem da igreja e a relação entre igreja e Estado (em direção ao erastianismo), para que esses magistrados simpáticos pudessem não apenas defendê-los, mas também promover sua teologia, piedade e prática dentro da igreja reformada. Vale lembrar que, enquanto essa disputa teológico-política acontecia, a Holanda estava em guerra com a Espanha, e a destrutiva Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) se aproximava. As tensões inerentes à Paz de Augsburgo (1555) estavam prestes a serem resolvidas de uma forma ou de outra.
Os ortodoxos responderam aos Artigos da Remonstrância em uma conferência de dez dias em Haia, de 10 a 20 de março de 1611. Seis representantes de cada lado, o Remonstrante e o Reformado, apresentaram seus argumentos. O objetivo formal era verificar se havia uma maneira de reconciliar os dois lados. Ficou claro através da Collatio17 (latim para “comparação”) que as diferenças eram fundamentais e irreconciliáveis. Isso se evidenciou no texto da Contra-Remonstrância, muito do qual foi posteriormente incorporado nos Cânones adotados pelo Sínodo de Dort.18
Um dos pontos mais intrigantes e talvez surpreendentes da Contra-Remonstrância é sua confissão de que “os filhos da aliança” devem ser considerados “filhos eleitos de Deus” e “filhos da aliança, desde que não manifestem o contrário” e, portanto, “pais crentes, quando seus filhos morrem na infância, não têm razão para duvidar da salvação desses filhos”.19 Esta doutrina é conhecida a partir dos Cânones 1.17. Ao contrário da caricatura remonstrante,20 a maioria dos reformados não era, e nunca foi, supralapsariana.21 Os pais crentes devem descansar nas promessas de Deus em Cristo, feitas a eles na aliança da graça, e significadas e seladas no batismo.
Abordagens do Sínodo.
Os Remonstrantes adotaram uma postura de vítimas. Em sua narrativa, Arminius era apenas um pastor reformado piedoso que foi injustamente perseguido por sua pregação e ensino, e seus seguidores também foram injustamente perseguidos. De fato, a preocupação com o ensino de Arminius surgiu quase imediatamente, mas a resolução final levou quase trinta anos.
Além disso, a preocupação com o que Arminius e seus seguidores estavam ensinando era generalizada por toda a Europa e nas Ilhas Britânicas. Essa preocupação foi percebida como um ataque fundamental à teologia agostiniana básica e às doutrinas centrais da Reforma Protestante (salvação sola gratia e sola fide). Em Herborn, Johannes Piscator (1546–1625) escreveu contra os arminianos. Pierre Du Moulin (1568–1658) escreveu The Anatomy of Arminianism (1618), que ainda é uma das maiores críticas ao arminianismo. Antes de Arminius, Peter Baro (1534–1599) já havia ensinado algo semelhante ao que Arminius ensinaria em Amsterdã e Leiden. O arcebispo Whitgift (c. 1530–1604) respondeu em 1595 com os Artigos de Lambeth, reafirmando a visão agostiniana de pecado, graça e eleição. Após o Sínodo, William Ames (1576–1633) publicaria suas Animadversions contra os Remonstrantes em 1629.
À medida que a controvérsia teológica se intensificava na Holanda, na Europa e nas Ilhas Britânicas, a polarização entre arminianos e calvinistas ameaçava explodir em guerra aberta. O príncipe Maurits (Maurice de Orange, 1567–1625) e Jan van Oldenbarnevelt (1547–1619), o primeiro-ministro de fato das Províncias Unidas, estavam em lados opostos. Oldenbarnevelt apoiava os arminianos, enquanto Maurits ficou ao lado dos ortodoxos. A Inglaterra, que havia se envolvido profundamente na Holanda, apoiou Maurits contra a Espanha. Após a conferência em Haia (1611) deixar claro o desacordo, a pressão aumentou sobre Maurits para apoiar os ortodoxos contra os Remonstrantes e levar o assunto a uma resolução, apesar de suas dúvidas sobre o impacto disso na unidade nacional contra os espanhóis. Os Remonstrantes eram favoráveis a um sínodo, mas apenas para revisar a ordem da igreja, visando dar aos magistrados (geralmente latitudinários) mais controle sobre a igreja e revisar a Confissão Belga para permitir a visão Remonstrante de eleição condicional.
Houve algum apoio popular aos ortodoxos na Holanda. Quando os Remonstrantes ganharam o controle das igrejas, proibiram os reformados de iniciar novas congregações confessionais. Essa abordagem agressiva acabou sendo contraproducente. Houve apoio popular nas igrejas para a doutrina confessional da salvação, conforme articulada na posição contra-Remonstrante em Haia, em 1611. Em 1617, tumultos dos contra-Remonstrantes eclodiram. Quatro províncias instaram os Estados Gerais a convocar um sínodo nacional para resolver a crise.
A Província da Holanda, dominada politicamente por Oldenbarnevelt e apoiadores dos Remonstrantes, resistiu ao chamado para um sínodo, temendo que as coisas pudessem se voltar contra eles. A sobrevivência das Províncias Unidas estava em jogo. Oldenbarnevelt até tentou persuadir membros do exército a fazer um juramento de fidelidade à Holanda contra as Províncias Unidas. No entanto, suas tropas cederam, e em agosto, ele, Hugo Grotius (1583–1645) e outros foram presos. O líder Remonstrante Johannes Uytenbogaert (1557–1644) fugiu do país. Oldenbarnevelt foi condenado por alta traição e decapitado em Haia em 14 de maio de 1619, após o sínodo. Seu filho retaliou tentando assassinar o príncipe Maurits, cujo pai havia sido assassinado em 1584. Um sínodo foi convocado para 13 de novembro de 1618.
Os reformados sabiam que a controvérsia com os remonstrantes representava mais do que uma disputa teológica local. Eles acreditavam que os remonstrantes estavam levando a nação de volta à heresia do pelagianismo e, portanto, ao socinianismo. Eles não apenas apoiaram a nomeação de Vorstius para a Universidade de Leiden, mas também suspeitavam que o líder remonstrante Simon Episcopius (1583–1644) fosse simpático ao socinianismo. Nas últimas décadas, tanto John Platt quanto Sarah Mortimer identificaram conexões entre Episcopius e o socinianismo.22
A Resolução.
O Sínodo de Dort finalmente se reuniu no arsenal de Dordrecht em 13 de novembro de 1618 e concluiu seus trabalhos em 29 de maio de 1619. Embora os Remonstrantes tenham sido derrotados no sínodo, eles não desapareceram. Uytenbogaert, Episcopius e outros convocaram um Sínodo Remonstrante em Antuérpia em outubro de 1619, com a presença de quarenta ministros arminianos. Eles foram protegidos pelo arquiduque Alberto, que se beneficiou da controvérsia em andamento. Episcopius e Grotius se mudaram para a França, enquanto outros foram para a Dinamarca. Alguns Remonstrantes realizaram reuniões clandestinas na Holanda.23 O historiador da igreja de Princeton, Samuel Miller (1769–1850), observou em 1841 que os Remonstrantes foram readmitidos nos púlpitos após a morte de Maurits em 1625. Não demorou para que o racionalismo começasse a se espalhar pela igreja reformada na Holanda.24
Um aspecto dos Cânones que não recebeu muita atenção é o julgamento formal do Sínodo contra os Remonstrantes e sua teologia. O Sínodo usou a palavra “herege” para se referir aos Remonstrantes, começando no prefácio, onde o Sínodo reclamou da “violência ímpia dos hereges”.25 O Sínodo equiparou os Remonstrantes às “orgulhosas heresias de Pelágio” (Cânones de Dort 3/4.10; doravante, CD),26 e instou as autoridades a “verificar todas as heresias e erros, espíritos inquietos e turbulentos”.27
Dada a referência do sínodo ao julgamento do Concílio Ecumênico de Éfeso (431) contra o pelagianismo (CD 3/4.10), devemos interpretar a condenação implícita do erro Remonstrante como heresia, quando o sínodo afirma que sua doutrina de eleição condicional “tem o sabor do ensino de Pelágio” (Rejeição de Erros, 1.4; doravante, RE).28 Em RE 2.3, o sínodo denunciou os Remonstrantes por “recordarem do inferno os erros de Pelágio” com sua doutrina de que Cristo tornou a salvação possível para aqueles que fazem sua parte.29 Em RE 2.6, o sínodo lamentou que os Remonstrantes, ao usar a distinção entre “merecer” e “apropriar-se”, tentaram “dar ao povo o veneno do pelagianismo”.30 O Sínodo chamou a teologia Remonstrante de Pelagiana em 3/4.2, 7, 9 e em RE 4.9 e RE 5.2, referindo-se a ela como “Pelagianismo manifesto” (RE 5.2).31
Observações.
Quatro séculos após o Sínodo, na América do Norte, Dort pode parecer distante, mas não deveria. As igrejas reformadas confessionais podem não enfrentar a perseguição espanhola, mas ainda somos uma minoria distinta em uma cultura evangélica predominantemente arminiana. As suposições que alimentaram o movimento Remonstrante permanecem vivas. Embora não tenhamos Remonstrantes dentro das igrejas reformadas hoje, temos visiinistas federais que negam abertamente a perseverança dos santos. Há aqueles em nosso meio que tentam transformar o pacto da graça em um pacto de obras e que buscam revisar a doutrina da expiação. O cenário muda, mas as questões permanecem. Assim, o Prefácio, os Cânones, as Rejeições de Erros, a Conclusão e a Sentença do Sínodo de Dort continuam a nos instruir enquanto buscamos alimentar nossos rebanhos e manter o veneno da teologia e piedade Remonstrante longe de nossos lábios.
Perguntas para estudo.
1. Qual é a principal razão pela qual os Cânones de Dort são considerados valiosos, mas negligenciados?
2. Por que é considerado anacrônico e reducionista referir-se aos Cânones de Dort como “Cinco Pontos do Calvinismo”?
3. O que motivou a reunião do Sínodo de Dort na Holanda?
4. Qual foi a influência da teologia de Theodore Beza sobre Jacob Arminius e por que essa influência é contestada?
5. Como a mudança teológica de Arminius pode estar relacionada ao problema do mal e à influência de Luis de Molina?
6. Quais foram as principais doutrinas defendidas pelos Remonstrantes que foram respondidas pelo Sínodo de Dort?
7. Qual foi a resposta dos ortodoxos reformados à teologia arminiana e como isso se manifestou na controvérsia?
8. Como o contexto político e social da época influenciou a convocação do Sínodo de Dort e a resolução da crise?
9. Quais foram as implicações da rejeição da doutrina reformada da perseverança pelos Remonstrantes?
10. Como o Sínodo de Dort abordou a acusação de heresia contra os Remonstrantes, e qual foi a base para essa acusação?
Notas de rodapé.
1 Publicado originalmente em Ordained Servant em Outubro de 2019.
2 “O supralapsarianismo (também chamado de antelapsarianismo, pré-lapsariano ou pré-lapsariano) é a visão de que os decretos de eleição e reprovação de Deus precederam logicamente o decreto da queda, enquanto o infralapsarianismo (também chamado de pós-lapsariano e sublapsariano) afirma que os decretos de eleição e reprovação de Deus sucederam logicamente o decreto da queda.” Herman Bavinck.
3 O corpo docente em Basel ficou bastante impressionado com ele e queria lhe conceder um doutorado. Johannes Jacobus Grynaeus escreveu-lhe uma brilhante carta de recomendação. Veja W. Robert Godfrey, Saving the Reformation: The Pastoral Theology of the Canons of Dort (Orlando: Reformation Trust, 2019), 196–97.
4 Herman Selderhuis observou esta conexão em uma entrevista transmitida em 9 de maio de 2019. https://wscal.edu/resource-center/the-canons-of-dort (acessado em 6 de julho de 2019).
5 Richard A. Muller, God, Creation, and Providence in the Thought of Jacob Arminius (Grand Rapids: Baker, 1991), 19–21; Godfrey, Saving the Reformation, 191–95; Keith D. Stanglin and Thomas H. McCall, Jacob Arminius: Theologian of Grace (Oxford: Oxford University Press, 2012), 45, 66–69.
6 Em oposição a Mark Driscoll e Gerry Breshears, que afirmam de maneira bizarra em Death by Love (Wheaton: Crossway, 2008, p. 170) que Arminius se casou com a filha de Calvino, consulte Godfrey, Saving the Reformation, pp. 201–202, para informações corretas sobre o casamento de Arminius.
7 Philip Schaff, The Creeds of Christendom, 3 vols. (New York: Harper & Brothers, 1882), 1.510–11.
8 James Arminius, The Works of James Arminius, trans. James Nichols and William Nichols, The London Edition, 3 vols. (repr., Grand Rapids: Baker, 1996), 2.491.
9 Arminius, Works, 3.485–88.
10 Stanglin and McCall, Jacob Arminius, 168.
11 Stanglin and McCall, Jacob Arminius, 182–83.
12 Em maio de 1619, o Sínodo publicou uma sentença contra Vorstius, declarando-o sociniano.
13 Ver Schaff, Credos , 3.545–49.
14 Godfrey, Saving the Reformation, p. 101, comenta que, na teologia remonstrante, Deus não elege pessoas, mas sim condições. “Saving the Reformation,” podcast Office Hours, Westminster Seminary California (site), 4 de março de 2019, https://wscal.edu/resource-center/saving-the-reformation .
15 Compare o quinto ponto dos Remonstrantes com a doutrina da apostasia confessada em “A Joint Federal Vision Profession (2007)”, em que os autores usam o mesmo tipo de linguagem sobre o mesmo assunto. Este documento foi recentemente excluído de seu site original. Veja “A Joint Federal Vision Profession (2007)”, R. Scott Clark (blog), acessado em 6 de julho de 2019, https://rscottclark.org/a-joint-federal-vision-profession-2007/.
16 Veja Heiko Oberman, “Facientibus Quod in Se Est Deus Non Denegat Gratiam: Robert Holcot O.p. And the Beginnings of Luther’s Theology” in The Reformation in Medieval Perspective, ed. Stephen Ozment (Chicago: Quadrangle Books, 1971), 119–41; idem, Heiko A. Oberman, The Harvest of Medieval Theology: Gabriel Biel and Late Medieval Nominalism (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1983),135–39; idem, The Reformation: Roots and Ramifications(London; New York: T&T Clark, 2004), 103–04.
17 A Collatio Hagiensis (1611) foi a conferência realizada em Haia entre os Remonstrantes e os Contra-Remonstrantes.
18 Veja P. Y. DeJong, ed. Crise nas Igrejas Reformadas (Grand Rapids: Reformed Fellowship, 1968), 209–13.
19 De Jong, Crisis, 211. Veja também R. Scott Clark, “Baptism and the Benefits of Christ: The Double Mode of Communion in the Covenant of Grace”, The Confessional Presbyterian Journal 2 (2006): 3–19.
20 Veja a “Conclusão” (latim,Conclusio) do sínodo, que reafirma o caso ortodoxo contra os Remonstrantes (Schaff, Creeds , 3.576, 3.596).
21 Godfrey, Saving the Reformation, 190–91.
22 John Platt, Reformed Thought and Scholasticism: The Arguments for the Existence of God in Dutch Theology, 1575–1650 (Leiden: Brill, 1982), 218, 231; Sarah Mortimer follows Platt in Reason and the English Revolution: The Challenge of Socinianism (Cambridge: Cambridge University Press, 2010), 26.
23 Jonathan Israel, The Dutch Republic: Its Rise, Greatness and Fall, 1477–1806, Oxford history of early modern Europe (Oxford: Oxford University Press, 1998), 464.
24 Samuel Miller, “Introductory Essay,” in The Articles of the Synod of Dort, trans. and ed. Thomas Scott, (repr., Harrisonburg, VA: Sprinkle, 1993), 46–47.
25 “et hæreticorum impietate” (Schaff, Creeds, 3.550).
26 Schaff, Creeds, 3.566.
27 “omnes hæreses et errores, spiritus inquietos et turbulentos compescant” (Schaff, Creeds, 5.579).
28 “Pelagium enim sapiunt” (Schaff, Creeds, 3.557).
29 “Pelagianum errorem ab inferis revocant” (Schaff, Creeds, 3.563).
30 “populo perniciosum Pelagianismi venenum conantur propinare” (Schaff. Creeds, 3.564).
31 “manifestum Pelagianismum” (Schaff, Creeds, 3.574).

O Sínodo de Dort: mantendo o veneno longe dos lábios © 2024 pelo Instituto Genebra de Estudos Reformados está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0
Publicado originalmente na revista Ordained Servant em Outubro de 2019. Link para acesso: https://opc.org/os.html?article_id=772. Acesso em 30 de agosto de 2024. Tradução e revisão de Samuel S. Gomes.
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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