O Arminianismo é uma heresia condenável?

Tempo de leitura: 08 minutos.

Por Rev. Stephen Pribble.

Condenado pelo Sínodo de Dordrecht (Dort) em 1618-1619, o Arminianismo é, de fato, uma heresia, um sério afastamento da fé histórica da igreja cristã. “Arminius, um professor de teologia na Universidade de Leiden, distanciou-se da fé reformada em seu ensino sobre cinco pontos importantes. Ele ensinou a eleição condicional com base na fé prevista, a expiação universal, a depravação parcial, a graça resistível e a possibilidade de perda da graça. Essas visões foram rejeitadas pelo Sínodo […]” (da introdução aos Cânones de Dort no Hinário do Saltério, ed. de 1959).

A Bíblia ensina que Deus elegeu o seu povo em Cristo antes do início dos tempos: “Como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo” (Ef 1.4). Essa eleição foi por pura graça e amor livre de Deus, sem que houvesse nada na criatura como condição ou causa para induzi-lo a isso: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama) […] Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9.11,16).

A Bíblia também ensina que Cristo realizou sua obra expiatória em favor de seu povo eleito, e de nenhum outro: “Como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). “Eu dou a minha vida pelas ovelhas” (Jo 10.15). “É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (Jo 17.9).

A Bíblia ensina ainda a depravação total, ou seja, que o homem, em cada parte de sua natureza (intelecto, emoções e vontade), está irremediavelmente corrompido pela queda. O homem caído está morto em delitos e pecados e não pode, por si só, gerar a vida espiritual. A regeneração é inteiramente obra do nosso gracioso e soberano Deus: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Ef 2.1). “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1.13).

A Bíblia ensina que Deus é absolutamente Soberano e Todo-Poderoso: “[…] o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens e o dá a quem quer. […] Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.32,35). “O Senhor enviará de Sião o cetro do seu poder, dizendo: Domina entre os teus inimigos. Apresentar-se-á voluntariamente o teu povo, no dia do teu poder; com santos ornamentos, como o orvalho” (Sl 110.2-3). “Pois quem jamais resistiu à sua vontade?” (Rm 9.19). “Aleluia! Pois reina o Senhor, nosso Deus, o Todo-Poderoso” (Ap 19.6). Se a vontade de Deus não pode ser resistida, então sua graça também não pode ser resistida; sua graça é irresistível.

A Bíblia também ensina que as verdadeiras ovelhas de Cristo têm vida eterna e nunca perecerão: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar” (Jo 10.27-29).

Como os ensinamentos do Arminianismo são contrários às Escrituras, eles são manifestamente falsos e representam sérias distorções do evangelho de Jesus Cristo. Há apenas um evangelho, não dois. Qualquer um que pregue outro evangelho está pregando um evangelho falso e é amaldiçoado: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gl 1.8-9).

Jesus Cristo é a testemunha verdadeira e fiel (Ap 3.14). Embora ele tenha escolhido que seu evangelho fosse pregado por homens falíveis (At 9.15; Ef 4.11), é evidente que não há pregador perfeito entre os filhos dos homens, nascidos de geração comum. Um verdadeiro pregador pode cometer um erro honesto, mas ele não enganará nem distorcerá intencionalmente o evangelho de Jesus Cristo. Somente o Senhor Jesus Cristo é o discernidor infalível dos corações dos homens e julgará infalivelmente as motivações de todos os seus ministros no dia final: “Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo” (1Co 3.15).

O Oxford English Dictionary define “condenável” como “digno de condenação” ou “sujeito à condenação divina”. Certamente, toda doutrina falsa, incluindo o arminianismo, é digna de condenação e, em última análise, estará sujeita à condenação divina no julgamento final. Uma vez que as doutrinas arminianas da eleição condicional, expiação universal, depravação parcial, graça resistível e a possibilidade de perda da graça são contrárias às Escrituras, elas são falsas e dignas de condenação; portanto, condenáveis.

O arminianismo é uma heresia? Sim. Os pregadores arminianos são hereges? Em certo sentido, sim, embora a maioria não tenha sido formalmente condenada como tal por um concílio da igreja com autoridade para fazer essa determinação.

Um pregador arminiano pode ser considerado um “herege condenável” por pregar um falso evangelho do livre-arbítrio humano em vez do verdadeiro evangelho da graça soberana de Deus? Sim, certamente.

É possível que um pregador arminiano ensine as falsas doutrinas da eleição condicional, expiação universal, depravação parcial, graça resistível e a possibilidade de perda da graça, enquanto ainda (inconsistentemente) exorta seus ouvintes a confiarem somente em Jesus Cristo para a salvação de suas almas? Acredito que sim.

É possível acreditar nas falsas doutrinas da eleição condicional, expiação universal, depravação parcial, graça resistível e a possibilidade de perda da graça, enquanto ainda (inconsistentemente) se confia somente em Jesus Cristo para a salvação? Talvez, mas, em última análise, cabe a Deus julgar.

O arminianismo é uma heresia condenável? Sim. As falsas doutrinas da eleição condicional, expiação universal, depravação parcial, graça resistível e a possibilidade de perda da graça têm origem no abismo do inferno, com o pai da mentira (Jo 8.44). Elas são contrárias às Escrituras e dignas de condenação. Este é um assunto sério: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2Pe 2.1).

Os pastores que ensinam o arminianismo são hereges condenáveis que não são cristãos e que certamente irão para o inferno? Em última análise, isso cabe a Deus decidir, e ele certamente decidirá — caso a caso. Os únicos que vão para o céu são aqueles que confiam somente em Jesus Cristo para sua salvação. Parece ser muito difícil, se não impossível, confiar exclusivamente em Jesus Cristo se alguém se apega à eleição condicional baseada na fé prevista, expiação universal, depravação parcial, graça resistível e a possibilidade de perda da graça. Aqueles que se apegam consistentemente a essas falsas doutrinas provavelmente acreditam que sua salvação depende, em parte, de seu próprio mérito, e pessoas que dependem de seu próprio mérito, em vez do mérito de Cristo, estão a caminho da perdição.

Se você acredita, por exemplo, que Deus o elegeu porque previu que você teria fé, então por que você tem fé enquanto outra pessoa não tem? Você realmente acredita que sua fé é meritória, que você mereceu a salvação por causa da sua fé, enquanto seu vizinho, que não teve fé, não mereceu a salvação? Se você sustenta essa ideia de forma consistente, então não está confiando apenas no mérito de Cristo, mas também no seu próprio mérito, e, nesse caso, você está perdido. O cristão bíblico acredita que a salvação é totalmente pela graça; caso contrário, todos os homens estariam perdidos. “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9).

Perguntas para estudo e reflexão.

1. Quais são as principais doutrinas do Arminianismo condenadas pelo Sínodo de Dordrecht, e como elas contrastam com os ensinamentos bíblicos sobre a eleição e a graça?

2. Como as Escrituras refutam a ideia de expiação universal e o que isso significa para a doutrina da salvação?

3. De que maneira a doutrina da depravação total reforça a necessidade da regeneração ser uma obra exclusivamente divina?

4. Por que a graça de Deus é considerada irresistível, e como isso se relaciona com a soberania divina?

5. Como a crença na eleição condicional pode influenciar a confiança de uma pessoa em Cristo para a salvação, e quais são os perigos espirituais dessa crença?


O Arminianismo é uma heresia condenável? © 2024 pelo Instituto Genebra de Estudos Reformados está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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