Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 17

Tempo de leitura: 6 minutos.

Pergunta 17: Qual foi o estado a que a queda reduziu o gênero humano?

Resposta: A queda reduziu o gênero humano a um estado de pecado e miséria.[1]

PROVAS BÍBLICAS.

Provas 01:

  • Romanos 5.12: Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.
  • Romanos 3.10–18: Como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.
  • Gálatas 3.10: Todos quantos, pois, são das obras da lei estão debaixo de maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las.

Comentário.

Quando Adão e Eva foram colocados no Jardim do Éden, estavam em um estado de retidão, desfrutando de comunhão constante com Deus e de uma bem-aventurança pura, não contaminada pelo pecado. Se não tivessem caído, seus descendentes teriam nascido em um mundo de justiça e alegria.

No entanto, Adão caiu em pecado, e, como representante da humanidade, todos os seus descendentes, por geração natural, herdaram esse estado de pecado e miséria. Em outras palavras, todos os seres humanos nascem em pecado e, como resultado, enfrentam muitas misérias nesta vida.

A condição da humanidade é um tema central na teologia cristã, com profundas implicações sobre a natureza do ser humano e sua relação com Deus. A doutrina da queda, conforme descrita nas Escrituras, revela que a humanidade está em um estado lamentável de pecado, miséria, apostasia e escravidão espiritual. Este artigo explora essas quatro condições à luz da Bíblia, oferecendo uma compreensão mais profunda da realidade espiritual na qual todos estamos inseridos.

A Bíblia afirma claramente que a humanidade está em um estado de pecado. O apóstolo Paulo, em sua carta aos Romanos, declara que tanto judeus quanto gentios estão “todos debaixo do pecado” (Rm 3.9). Este estado é profundamente triste, pois aqueles que vivem “na carne”, ou seja, separados de Deus, não podem agradá-lo (Rm 8.8). A queda de Adão e Eva no Éden é o evento que nos conduziu a essa condição, como está escrito: “Pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores” (Rm 5.19). O mundo continua nesse estado até hoje, como João nos lembra: “o mundo inteiro jaz no Maligno” (1Jo 5.19). Cada um de nós, por natureza, está nesse estado de pecado, e como Jó confessou: “se me justificar, a minha própria boca me condenará” (Jó 9.20).

Além do pecado, a humanidade vive em um estado de miséria. O livro de Eclesiastes reflete sobre essa realidade ao afirmar: “a miséria do homem é grande sobre ele” (Ecl 8.6). O pecado é a raiz de toda essa miséria, como Paulo explica: “como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). A miséria que enfrentamos é uma consequência direta do pecado, como está escrito em Provérbios: “O mal perseguirá os pecadores” (Pv 13.21). Não é apenas a humanidade que sofre os efeitos do pecado; toda a criação é afetada: “Maldita é a terra por tua causa” (Gn 3.17). Tudo isso decorre de um único ato de desobediência, como Tiago observa: “Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia” (Tg 3.5).

A queda também levou a humanidade a um estado de apostasia, ou afastamento de Deus. O Salmo 14.3 declara: “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis”. Esse afastamento é profundamente pecaminoso, comparado à prostituição espiritual em Oseias: “A terra cometeu um grande adultério, desviando-se do Senhor” (Os 1.2). É também um estado de grande miséria, como Deus lamenta: “Ai deles! Porque fugiram de mim” (Os 7.13). A apostasia não é apenas uma rejeição da lei de Deus, mas uma fuga de sua presença e graça, resultando em profundo sofrimento espiritual.

Por fim, a queda resultou na escravidão espiritual da humanidade a Satanás. Paulo adverte que os que se afastam de Deus “caem na cilada do diabo, que os apanhou para fazerem a sua vontade” (2Tm 2.26). Este é um estado pecaminoso, pois o diabo, o “príncipe das potestades do ar”, opera nos “filhos da desobediência” (Ef 2.2). É também um estado de cegueira espiritual e miséria, como Paulo descreve: “o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos” (2Co 4.4). Essa condição pode ser comparada à do filho pródigo na parábola de Jesus, que deixou seu pai, desperdiçou seus bens e, em sua miséria, foi obrigado a alimentar porcos em uma terra distante (Lc 15.13-15).

A doutrina do pecado original e suas consequências nos ensina sobre a realidade da nossa condição espiritual. A humanidade, em seu estado natural, está presa em pecado, miséria, apostasia e escravidão a Satanás. No entanto, a Bíblia também nos aponta para a esperança de redenção por meio de Jesus Cristo. Ele é aquele que pode nos libertar de todas essas condições, oferecendo-nos a reconciliação com Deus, a restauração da nossa alma e a promessa de uma nova vida em sua presença. Compreender essas verdades é essencial para uma vida cristã que busca seguir os caminhos do Senhor e viver em conformidade com sua vontade.

Perguntas para reflexão e estudo.

1. Qual era o estado original de Adão e Eva no Jardim do Éden, e como sua queda afetou toda a humanidade?

2. Como a doutrina da queda descreve a condição espiritual da humanidade, e quais são as quatro principais consequências mencionadas no texto?

3. De que maneira o apóstolo Paulo descreve o estado de pecado da humanidade em sua carta aos Romanos, e qual é a implicação disso para todos nós?

4. Como o pecado original influencia a miséria da humanidade, e quais passagens bíblicas são usadas para ilustrar essa relação?

5. O que significa a escravidão espiritual a Satanás, segundo o texto, e como essa condição é comparada à parábola do filho pródigo?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 17 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2021, 2024 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em Agosto de 2024. Publicado originalmente em 29 de Agosto de 2021].

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


Descubra mais sobre Instituto Genebra de Estudos Reformados

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Site desenvolvido com WordPress.com.

Acima ↑