Introdução.
O capítulo 3 do Livro do Gênesis aborda um tema que repercute em nossas vidas até os dias de hoje: a natureza pecaminosa do ser humano. Somos criaturas caídas e afastadas de Deus. Por essa razão, Deus enviou seu Filho para morrer por todos os homens e restabelecer a ligação entre o Criador e a criatura.
O objetivo deste texto é demonstrar, de maneira clara, o prenúncio da promessa da vinda do Salvador do mundo. Isso porque cada versículo de Gn 3 aponta para a pessoa de Cristo e seu sacrifício. Utilizaremos também a Confissão de Fé de Westminster para embasar nossa linha de raciocínio.
1. A Queda do Ser Humano.
A queda do homem ocorreu quando Satanás distorceu a palavra de Deus e o homem acreditou nele, cedendo à tentação (Gn 3.13). Deus havia dado uma ordem ao homem antes da criação da mulher: “Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.15-17).
No entanto, Satanás enganou a mulher: “Disse o Senhor Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3.13). A mulher ofereceu o fruto ao seu marido, e ambos transgrediram a ordem de Deus.
O pecado dos nossos primeiros pais foi a desobediência à palavra de Deus. Por isso, a comunhão do homem com Deus foi prejudicada (Gn 3.6-8; Ec 7.29; Rm 3.23), e ele se tornou morto em delitos e pecados: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). A morte referida por Deus é a morte espiritual, não a carnal (Ef 2.1).
No instante em que o homem pecou, a maldição caiu sobre ele e sobre toda a terra, conforme lemos em Rm 8.20: “Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou”. Veja o texto de Rm 5.12,18-19 (1Co 15:21): “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos”.
2. O Proto-Evangelho.
O texto de Gn 3.15 é chamado de Proto-Evangelho e é a primeira promessa de redenção da raça humana: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.
A promessa de redenção é evidenciada pela necessidade de um sacrifício de sangue, conforme lemos em Hb 11.4: “Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim; pelo qual obteve testemunho de ser justo, tendo a aprovação de Deus quanto às suas ofertas. Por meio dela, também mesmo depois de morto, ainda fala”. A importância do uso do sangue surge quando Adão percebe seu pecado e sua nudez. Antes do pecado, estar nu não o incomodava devido à pureza de seu coração: “Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi” (Gn 3.7,10).
Com vergonha, o homem se escondeu de Deus e se cobriu com folhas de figueira (Gn 3.7). Aqui reside o ponto mais crucial. O texto de Gn 3.21 diz que Deus fez para o primeiro casal roupas de peles, o que implica o sacrifício de um animal e o derramamento de sangue inocente: “Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu”. Desde o início, torna-se necessário o derramamento de sangue para a remissão dos pecados: “Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão” (Hb 9.22).
Deus escolheu livremente oferecer aos pecadores a vida e a salvação por meio de seu Filho Jesus Cristo, exigindo deles fé em seu Filho para que sejam salvos: “Porém que se diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé que pregamos. Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo” (Rm 10.8-9).
Conclusão.
Como vimos no início e no desenvolvimento deste estudo, tudo o que aconteceu em Gn 3 aponta para o sacrifício de Cristo na cruz, onde seu sangue nos redimiu de todo o pecado. A mensagem da Bíblia é uma mensagem de redenção, e essa redenção nos é trazida pelo sacrifício de Cristo. O sacrifício de Cristo na cruz foi substitutivo, expiatório e vicário. Precisamos da graça de Deus para aplicar o sacrifício perfeito de Cristo, que obedeceu à Lei que nós não podíamos obedecer. Cristo Jesus fez isso por nós para que o Espírito Santo pudesse nos selar e nos unir a Jesus, e, nessa união, a justiça de Cristo se tornasse nossa.
Para que Deus, o Pai, que é o verdadeiro inimigo do pecador (Rm 8.8), pudesse olhar para nós e dizer: “A paz entre nós foi estabelecida pelo Filho que eu mesmo entreguei por amor a vocês”. Tal foi o amor de Deus Pai por nós, que entregou seu Filho à morte; tal foi o amor do Filho por nós, que se entregou à morte para que pudéssemos ter uma vida nova (Rm 6.1-14).
Gênesis 3: Queda E Redenção © 2017, 2024 by Instituto Genebra de Estudos Reformados is licensed under CC BY-NC-ND 4.0
[Nota do Editor: Artigo atualizado em Julho de 2024. Publicado originalmente em 25 de Abril de 2017].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
Descubra mais sobre Instituto Genebra de Estudos Reformados
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



Deixe um comentário