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A “aliança de obras” refere-se a uma administração nos primeiros capítulos de Gênesis, onde Deus disse a Adão, em Gênesis 2.17, para não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, pois, no dia em que comesse, certamente morreria. Essa aliança ofereceu a Adão duas opções: vida ou morte. Se Adão desobedecesse a Deus, a consequência seria a morte. Se ele tivesse obedecido e continuado em obediência a Deus, o que não fez, a vida confirmada seria o resultado.
Adão era uma pessoa representativa, como Paulo ensina em Romanos 5 e 1Coríntios 15. Isso significa que, quando Adão obedeceu ou desobedeceu, ele o fez como representante de sua posteridade. Assim, quando ele pecou e a morte entrou no mundo, seu pecado foi imputado à sua posteridade, resultando na morte para todos.
A doutrina do pacto das obras foi desenvolvida nos primeiros séculos da tradição teológica reformada, e há vários aspectos que resumem seu significado. Em primeiro lugar, essa doutrina afirma que, no início, quando Deus criou o homem, ele fez um pacto com ele. O pacto das obras refere-se ao relacionamento original de Deus com Adão, similar aos pactos que Deus fez com seu povo em diversos momentos da história. Mesmo antes da Queda, Deus entrou em um relacionamento especial, um pacto, com Adão. Esse é um aspecto dessa doutrina.
O segundo aspecto é capturado no termo “obras”. Isso ensina que, nesse pacto, Deus exigiu que Adão fosse obediente e lidaria com ele de acordo com sua obediência ou desobediência. Para entender melhor, podemos comparar com a maneira como Deus lida conosco atualmente. Deus não nos oferece salvação ou vida eterna com base em nossas boas obras, mas pela fé em Jesus Cristo. No entanto, Deus não ofereceu a Adão um mediador ou salvador. Ele disse a Adão: “Você deve me obedecer, e se não obedecer, morrerá”, implicando que, se obedecesse, viveria. Por isso, é chamado de pacto das obras, pois estava baseado na obediência de Adão ao chamado de Deus.
Um terceiro aspecto importante da doutrina é a ideia de que Deus não pretendia originalmente que a raça humana simplesmente vivesse no Jardim do Éden para sempre. Desde os tempos de Agostinho, João Damasceno e Tomás de Aquino, existe a convicção de que Deus desejava que os seres humanos estivessem em comunhão escatológica com ele, governando não apenas na primeira criação, mas também em uma nova criação. A doutrina reformada do pacto das obras ensina que, se Adão tivesse sido obediente e fiel à comissão que Deus lhe deu, Deus, de alguma forma, o teria abençoado com a vida na nova criação. Adão não precisaria morrer para alcançar essa nova vida; por meio de sua obediência, Deus o teria abençoado, e a todos nós em Adão, com as bênçãos da vida eterna.
Conclusão.
A doutrina do pacto das obras é fundamental para entender a teologia reformada e a relação inicial de Deus com a humanidade. Ela estabelece que Adão, como representante da humanidade, tinha a responsabilidade de obedecer a Deus perfeitamente para garantir a vida eterna para si e sua posteridade. A desobediência de Adão resultou na introdução do pecado e da morte no mundo, afetando toda a humanidade.
Além disso, essa doutrina sublinha a diferença entre a maneira como Deus lidou com Adão e como ele lida conosco hoje. Enquanto o pacto das obras dependia da obediência perfeita de Adão, nossa salvação atual é oferecida pela fé em Jesus Cristo, que cumpriu perfeitamente as exigências do pacto em nosso lugar.
Por fim, a doutrina do pacto das obras também aponta para a intenção original de Deus de levar a humanidade a uma comunhão escatológica mais profunda com ele. Se Adão tivesse obedecido, ele e sua posteridade teriam desfrutado da vida eterna na nova criação sem passar pela morte. Assim, essa doutrina não apenas explica a origem do pecado e da morte, mas também destaca a esperança da redenção e restauração final através de Cristo, o Segundo Adão, que obedeceu perfeitamente em nosso lugar.

A doutrina do Pacto das Obras: fundamentos e implicações © 2024 by Instituto Genebra de Estudos Reformados is licensed under CC BY-NC-ND 4.0
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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