Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 08.

Tempo de leitura: 5 minutos.

Pergunta 8: Como Deus executa Seus decretos?

Resposta: Deus executa Seus decretos nas obras da criação e da providência[1].

PROVAS BÍBLICAS:

[1] Salmos 148:8; Isaías 40:26; Daniel 4:35; Atos 4:24-28; Apocalipse 4:11.

Comentário.

Na última questão, os decretos de Deus são definidos como “seu propósito eterno de acordo com o conselho de Sua vontade”. A palavra “eterno” nos indica que os decretos foram feitos na eternidade, antes de qualquer outra coisa (além de Deus) existir. Em outras palavras, os decretos são pré-temporais (antes mesmo de o tempo existir), uma vez que o tempo, como o entendemos, realmente começou com a criação.

Em qualquer caso, “eventualmente” Deus executa os seus decretos, traduzindo-os nas obras da criação e da providência. Observe a frase “Deus executa”, que nos diz que Deus não apenas decretou, mas também executou os ditames de seus decretos – pois somente ele é capaz de fazê-lo. Isto distingue os decretos de Deus dos decretos dos homens, sejam eles reis e soberanos ou outros, pois nos decretos humanos, aquele que decreta depende dos seus súbditos para executar suas ordens, e frequentemente o que é executado não é o que foi decretado. Isso não ocorre com os decretos de Deus. Somente ele é todo-poderoso, somente ele é capaz de cumprir seus decretos e somente ele os cumpre perfeitamente: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei” (Is 46.9-11).

Nas obras da criação, Deus fez todas as coisas de acordo com seu plano eterno, por meio de seu infinito poder e sabedoria. Em sua obra de providência, ele preserva e governa soberanamente todas as coisas, animadas e inanimadas, de acordo com seu propósito e conselho eterno.

Nas obras da criação, percebemos o reflexo da soberania divina em cada detalhe do universo. Nada foi criado ao acaso ou fora da vontade de Deus. Cada elemento, desde as vastas galáxias até as minúsculas partículas, tem um lugar determinado no plano eterno do Senhor. Essa visão reformada da criação enfatiza que Deus não apenas iniciou todas as coisas, mas que tudo foi moldado segundo Sua vontade eterna, com sabedoria infinita e propósito definido. Isso nos afasta de qualquer visão mecanicista ou naturalista da criação, pois entendemos que o universo é expressão da mente e da vontade de um Deus pessoal e soberano.

Da mesma forma, na providência divina, vemos Deus executando continuamente Seus decretos com perfeição e fidelidade. Ele não é um Criador distante que abandona Sua criação à própria sorte, mas um Pai soberano que sustenta todas as coisas pelo poder da Sua Palavra (Hb 1.3). Isso inclui tanto os grandes eventos da história quanto os menores detalhes da vida cotidiana. A teologia reformada nos ensina que não existe acaso; tudo acontece debaixo da mão de Deus, inclusive o que nos parece adverso ou sem sentido. Mesmo o mal, embora nunca proceda de Deus, é por Ele governado e subordinado ao cumprimento de Seus sábios desígnios.

Essa doutrina da execução dos decretos de Deus traz grande conforto ao povo de Deus. Saber que o Senhor está no controle absoluto de todas as coisas nos fortalece diante das incertezas da vida. Não somos governados por forças impessoais nem entregues ao acaso, mas conduzidos por um Deus que é ao mesmo tempo Todo-Poderoso e bondoso. A certeza de que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28) é uma consequência direta da confiança nos decretos soberanos e eficazes do Senhor.

A execução dos decretos de Deus, por meio das obras da criação e da providência, revela Seu governo soberano, sua fidelidade e Sua perfeição. A teologia reformada nos chama a contemplar esse Deus com reverência, confiança e adoração, reconhecendo que tudo quanto acontece está debaixo do seu controle eterno e sábio. Ele decretou, ele executa, e em tudo o Seu nome será glorificado. Assim, somos chamados a descansar na soberania divina, certos de que estamos nas mãos daquele cujo conselho sempre permanece de pé.

Perguntas para reflexão.

1. Como os decretos de Deus são definidos na pergunta 8 do Breve Catecismo de Westminster?

2. De que maneira a palavra “eterno” esclarece o momento em que os decretos de Deus foram feitos?

3. Qual é a distinção principal entre os decretos de Deus e os decretos dos homens?

4. Como Isaías 46.9-11 apoia a ideia de que Deus cumpre seus decretos de maneira perfeita e infalível?

5. De que forma Deus executa seus decretos nas obras da criação e da providência?


Breve Catecismo de Westminster Comentado – Pergunta 08 está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2021, 2024, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

[Nota do Editor: Artigo atualizado em junho de 2025. Publicado originalmente em 28 de Março de 2021].

“Pela Palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


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