A verdadeira natureza da Páscoa: uma reflexão à luz das Escrituras.

A Páscoa, uma das festividades mais emblemáticas do calendário cristão, é tradicionalmente celebrada em memória da ressurreição de Jesus Cristo. No entanto, há quem questione a legitimidade dessa observância à luz das Escrituras. Um exame cuidadoso dos ensinamentos bíblicos sugere que as práticas festivas, incluindo a Páscoa, podem não ter respaldo divino. O debate sobre a observância desses dias especiais remonta aos primórdios do Cristianismo e continua a desafiar a compreensão contemporânea.

Ausência de base bíblica.

Não encontramos, nos registros do Novo Testamento, uma clara recomendação para a observância da Páscoa ou de outras festividades ditas cristãs. O relato em Atos 12.4, frequentemente citado como referência à Páscoa, na verdade, não trata do evento cristão, mas sim de uma celebração judaica. Esta ausência de instrução direta dos apóstolos levanta dúvidas sobre a legitimidade dessas práticas festivas.

Desconsideração das Escrituras.

Passagens como Cl 2.16 e Gl 4.9-11 sugerem que o apóstolo Paulo desaprovava a observância de dias específicos, indicando que tais práticas poderiam ser contraproducentes à fé cristã. Essa postura levanta questões sobre a validade da Páscoa e outras festividades no contexto do Cristianismo primitivo.

Descontinuidade com a Antiga Aliança.

A observância de festivais e jejuns na Antiga Aliança não implica necessariamente sua continuidade na Nova Aliança. Com a vinda de Cristo, as exigências da Lei Mosaica foram cumpridas e, portanto, as práticas rituais associadas a ela não são mais obrigatórias para os seguidores de Jesus. Argumentar pela observância da Páscoa com base na tradição judaica é questionável à luz do ensino apostólico.

Origens questionáveis.

A história da introdução de festividades cristãs, incluindo a Páscoa, revela uma motivação política e cultural, em vez de uma base teológica sólida. Essas práticas foram adotadas para atrair tanto judeus quanto gentios acostumados a festividades religiosas, levantando dúvidas sobre sua autenticidade e relevância espiritual.

A controvérsia em torno da observância da Páscoa desde os primeiros séculos da era cristã destaca a falta de consenso e a diversidade de práticas entre as comunidades cristãs. O registro histórico revela conflitos sobre a data e a natureza dessa festividade, indicando que sua observância não era universalmente aceita nem consistentemente praticada.

Portanto, ao refletir sobre a Páscoa à luz das Escrituras e da história da Igreja, é importante questionar a legitimidade e a relevância dessas práticas festivas. Em vez de aderir cegamente a tradições humanas, os cristãos são desafiados a buscar uma compreensão mais profunda da mensagem central do Evangelho e a viver de acordo com seus princípios fundamentais de amor, justiça e misericórdia. Tal reflexão pode levar a uma compreensão mais autêntica e significativa da fé cristã, livre de influências culturais e práticas questionáveis.


A verdadeira natureza da Páscoa: uma reflexão à luz das Escrituras está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0 © 2024 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.

“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).


Descubra mais sobre Instituto Genebra de Estudos Reformados

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

Site desenvolvido com WordPress.com.

Acima ↑