Semana 45: O Sistema.
Por John D. Barry.
Leituras bíblicas: Êxodo 30-32; João 5.31-47; Cântico dos cânticos 4.4-8.
Religião é um assunto difícil. Jesus se opôs firmemente à religião pela religião, mas era um judeu cumpridor da lei. Ele reconheceu o valor da adoração, da comunidade e do discipulado, mas não o valor das restrições religiosas: a religião pode vincular alguém à tradição e ser usada para a opressão. Este conhecimento torna difícil entender por que Deus estabeleceu sistemas religiosos em primeiro lugar. Seu propósito é confuso.
Em Êx 30-31, há descrições completas de altares, impostos, bacias, óleos, incenso e o sábado. No meio disso, temos um vislumbre do que se trata em uma cena em que Deus coloca seu Espírito sobre dois homens para que eles possam honrá-lo com uma arte criativa. Eles retratarão, na arte, o que significa conhecer a Deus. Aqui temos um vislumbre do trabalho simbólico em jogo. Deus não está construindo a religião pela religião – ele está construindo sistemas para ajudar as pessoas a compreendê-lo. Esses sistemas foram feitos para serem usados com o propósito de conhecê-lo e nada mais.
A religião é explorada na narrativa do próximo capítulo, onde um impaciente Arão (o homem destinado a conduzir o povo a Deus) promove a adoração de outro deus. O bezerro de ouro era um símbolo de Baal, o deus principal de um grupo de povos vizinhos. Aqui temos outro vislumbre de algo mais profundo, mas esta situação não é a vontade de Deus. Vemos o que acontece quando as pessoas ficam impacientes: constroem os seus próprios sistemas, recorrendo a algo que não pode realmente ajudá-las.
E é exatamente isso que fazemos quando pecamos. Procuramos o nosso próprio caminho, o nosso próprio sistema, quando em vez disso deveríamos procurar o caminho de Deus e adorá-lo da forma como ele nos chamou.
Jesus confronta esse problema com a religião. “Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança. Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito. Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” (Jo 5.45-47). Estas palavras teriam atingido o âmago de um judeu altamente religioso do primeiro século. Imagine alguém afirmando que a própria forma como ele adorava e o seu próprio livro de ensinamentos na verdade testificam contra ele. Imagine perder o processo judicial porque a autoridade à qual você recorre está na verdade revelando os erros de sua conduta.
Apenas algumas linhas antes, Jesus fornece seu raciocínio para esta afirmação: “Eu não aceito glória que vem dos homens; sei, entretanto, que não tendes em vós o amor de Deus” (João 5.41-42).
Jesus não busca a glória de um sistema religioso – um sistema que tanto ele quanto Paulo reconhecem que estava falhando por causa da pecaminosidade das pessoas e do desejo de explorá-lo. Em vez disso, ele está no negócio de relacionamentos. Todos nós temos nossos sistemas falhos, e eles são revelados quando buscamos Jesus. E quando forem revelados, devemos deixar Deus trabalhar dentro de nós e das nossas comunidades para destruir esses sistemas. Um ato criativo que leve a uma melhor adoração, discipulado ou comunidade é desejável, mas um ato que o iniba deve ser destruído.
Reflexão
- Que sistemas você e sua comunidade de adoração construíram que estão impedindo vocês de entrar plenamente em um relacionamento com Jesus?
Bibliografia
BARRY, John D., Connect the Testaments: A One-Year Daily Devotional with Bible Reading Plan. Bellingham, WA Lexham Press: 2012.

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