“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”

Por Mark Baily.

O ceticismo não é novo. Vivemos em um mundo influenciado pelas percepções humanas, preferências pessoais e manipulação de impressões. Enfrentamos uma crise de confiança nas instituições governamentais, líderes públicos, ensino superior e mídia. As pessoas se perguntam o que significa a verdade e onde encontrá-la. Como cristãos brilhando a luz do evangelho no mundo ao nosso redor, sabemos que o modelo bíblico da verdade é proposicional e pessoal, revelador e relacional. A exposição à verdade exige uma resposta pessoal.

No Evangelho de João, o tema “verdade” é uma preocupação crítica. Os textos de João 3.21 e 18.37-38 formam os suportes para livros de seu evangelho, destacando a importância de uma resposta correta à verdade revelada em Jesus. A primeira afirma: “Quem pratica a verdade aproxima-se da luz”; e na segunda, Jesus afirma: “Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz”.

Desde o prólogo de abertura de João até o clímax do interrogatório de Jesus com Pilatos, o que é verdade sobre Jesus estava sendo julgado. A disputa entre a opinião do mundo sobre a verdade e a visão de Deus sobre a verdade é vista claramente na conversa entre Jesus e Pilatos. Essa curta passagem de João 18.37-38 inclui a afirmação da realeza de Jesus, sua afirmação de ser o testemunho divino da verdade e o julgamento de que a resposta das pessoas a ele indica sua relação com o que é verdadeiro. O eco da pergunta reacionária de Pilatos “O que é a verdade?” continua a ressoar hoje.

Vemos a importância de definir corretamente a verdade na oração sacerdotal de Jesus, na noite antes de ir para a cruz: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). Podemos supor inicialmente que o referente imediato é a Bíblia, e a santificação é o resultado. Como evangélicos conservadores com uma visão elevada da inspiração divina e a qualidade resultante da inerrância, acreditamos corretamente que a Bíblia é a verdade de Deus na forma escrita. Entretanto, um olhar mais atento ao termo verdade no contexto do Evangelho de João pode produzir uma compreensão mais focada desse pedido específico.

Dos quatro evangelistas, João centraliza o tema da verdade em relação à Trindade, especialmente no ministério de Jesus. Diz-se que Deus é verdadeiro (Jo 3.33; 7.28; 8.26), o único Deus verdadeiro (Jo 17:3). Jesus revela a verdade que ele “ouviu de Deus” (Jo 8.40). Sendo o Verbo encarnado, Jesus é “cheio de graça e de verdade” (Jo 1.18). Ele é o canal mediador que revela a graça e a verdade (Jo 1.14). A verdade que Jesus ensinou e incorporou pode libertar as pessoas do pecado (Jo 8.32, 36). Jesus falou a verdade (Jo 7.18; 8.14, 16, 45; 16.7), e o próprio Jesus é a própria essência da verdade (Jo 5.33; 14.6). O Espírito Santo é chamado de “o Espírito da verdade” que habitava com os discípulos antes do dia de Pentecostes e agora habita em todos os crentes (Jo 14.17). O Espírito é identificado como ministro da verdade porque foi enviado por Cristo, da parte do Pai, para dar testemunho da verdade (Jo 15.26) e ser um guia em toda a verdade (Jo 16.13). Ele não fala com sua própria autoridade. Como João esclarece, o que pertence ao Pai pertence a Jesus, e o Espírito declara que o que pertence a Jesus é para a glória de Cristo. (Jo 16.14). Portanto, a palavra da verdade no Evangelho de João está centrada na pessoa e na obra de Cristo.

Em João 17, Jesus orou para que os discípulos estivessem preparados para dar testemunho de Cristo em um mundo contrário. A palavra santificar significa separar para um uso ou serviço sagrado conforme designado por Deus. Esta passagem menciona duas santificações: a de Jesus e a de seus seguidores. Em um mundo hostil ao evangelho, Jesus não pediu que seus seguidores fossem tirados do mundo, mas que fossem santificados e protegidos ao serem separados e enviados ao mundo. Para esse fim, Jesus disse que se santificaria, para que os discípulos fossem santificados na verdade (Jo 17.15-17).

A autossantificação de Jesus foi sua submissão voluntária a tudo o que o Pai o consagrou para fazer em sua vida e morte; assim como o Pai enviou Cristo ao mundo, Jesus está enviando seus discípulos ao mundo (Jo 17.18). A missão é sempre prestar testemunho da realidade da verdade — o evangelho de Jesus Cristo em toda a sua plenitude. A verdade possibilita que pecadores culpados sejam declarados santos e usados por Deus para seus propósitos sagrados. Aqueles que respondem corretamente à verdade devem adorar em espírito e verdade (Jo 4.23) e testemunhar a verdade no poder do Espírito (Jo 15.26, 27). João Batista e o autor do Evangelho de João exemplificam esse testemunho da verdade (Jo 5.32, 33; 10.41; 19.35; 21.24). Jesus modelou este testemunho em sua confissão perante Pilatos. A pergunta cínica de Pilatos sobre a definição da verdade é um espelho clímax para o Evangelho de João. Pilatos estava falando com a verdade bem na frente dele – e ainda assim ele se recusou a ver a verdade. Em contraste, o propósito abrangente do Evangelho de João é apresentar o Jesus crucificado como o Messias e o Filho de Deus, afirmando que a fé nele não é apenas o meio para a vida eterna, mas também a resposta correta à verdade (Jo 20.31).

Fonte:

Texto traduzido de: https://voice.dts.edu/article/sanctify-them-in-the-truth/


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