“Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, admirável em louvores, realizando maravilhas?” (Êxodo 15: 11).
Deus é inteiramente santo. Ele não admite a presença de qualquer outro ser que não seja santo também.
A palavra hebraica qadosh, “santo”, é usada no Antigo Testamento (Isaías 5.16; 6.3; 10.20; 57.15; Jeremias 51.5; Habacuque 1.12) e o Novo Testamento usa a palavra grega hagios (João 17.11; Apocalipse 4.8; 6.10; 15.4) que significa, basicamente, a separação do que é comum ou impuro, a consagração a Deus (Lv 20.24-26; At 6.13; 21.28). Santidade é a beleza e a glória de Deus; Deus é o único ser em todo o universo que tem a capacidade de ser totalmente Santo (Levítico 11.44-45, 19.2; 1Pedro 1.16).
Santidade é um dos seus atributos mais excelentes. A sua ira é santa; o seu falar é santo; a sua paciência é santa; as suas obras são santas; a sua criação é santa; a sua sabedoria é santa; o seu poderio é santo; a santidade é quem o Senhor é. Ele não traz uma sensação de um ser santo, ele é totalmente, integralmente SANTO.
Em seu livro “A santidade de Deus”, R. C. Sproul escreve:
“Somente uma vez nas Escrituras Sagradas um atributo de Deus é mencionado três vezes sucessivamente. A Bíblia diz que Deus é santo, santo, santo. Não que ele seja meramente santo, ou mesmo santo, santo. Ele é santo, santo, santo. A Bíblia nunca afirma que Deus é amor, amor, amor; ou misericórdia, misericórdia, misericórdia; ou ira, ira, ira; ou justiça, justiça, justiça. Ele é santo, santo, santo, e toda a terra está cheia de sua glória”.
Então, por que repetir três vezes “santo, santo, santo”? A repetição de um nome ou uma expressão três vezes era bastante comum entre os judeus. Em Jeremias 7:4, os judeus são representados pelo profeta dizendo: “O templo do Senhor” três vezes, expressando sua intensa confiança em sua própria adoração, apesar de ter sido hipócrita e corrupta. Jeremias 22:29, Ezequiel 21:27 e 2 Samuel 18:33 contêm expressões semelhantes em intensidade que foram repetidas três vezes.
O homem, na sua cegueira e paixões, despreza este atributo de Deus com veemência. É muito mais fácil aceitar deuses fabricados pelo coração humano porque nenhum deles exigiria o que Deus, o único verdadeiro, exige de seus filhos: para que sejam também santos.
Quando meditamos na excelência deste atributo, é normal pensarmos como o profeta Isaías: “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros; os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos” (Isaías 6.5).
Mas Deus derramou toda a sua misericórdia e graça sobre nós para que fôssemos participantes da natureza divina através do sangue de Jesus Cristo. Sem o sacrifício na cruz, nada seria possível; seríamos esmagados pela santidade e ira de Deus e ele seria inteiramente justo se assim o fizesse. Seria impossível permanecermos na presença do Senhor se Cristo não tivesse sido morto pelos nossos pecados.
A crucificação de Jesus foi a maior demonstração da santa ira de Deus para o mundo; é como se ela tivesse simplesmente ultrapassado o amor paternal em relação a Cristo.
“Contudo foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor faça da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão” (Isaías 53:10).
A palavra de Deus ensina que quem é nascido de novo é santificado perante Deus, através de Cristo, com a santidade de Cristo atribuída a si. A morte de Jesus nos ajuda a sermos santos. Ele morreu para nos salvar da ira de Deus por causa do nosso pecado. Está claro, para nós, que é impossível sermos salvos sem santidade.
O cristão que realmente entregou a sua vida a Cristo está sendo santificado e incentivado a permanecer em sua posição em Cristo, a lutar continuamente; ele recusa-se a permitir que os seus membros, o coração e a mente pequem, apresentando-os a Deus (Romanos 6.11-13). O cristão deve seguir “a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.14). Assim, ele será santificado de forma integral com Cristo Jesus na glorificação (Romanos 8.30,31).
Como filhos do Altíssimo, temos como dever nos despirmos de tudo o que possuímos: uma justiça que não nos pertence, santidade própria, religiosidade etc. Pela fé, temos que dobrar o nosso coração diante da justiça e santidade de Deus que foi eternizada para sempre com Cristo e em Cristo.
Deus requer que sejamos santos como ele é Santo. Sobre esse processo, se faz necessário compreender duas coisas que Jerry Bridges explica muito bem:
“(…) podemos dizer que a busca de santidade é uma aventura conjunta entre Deus e o cristão. Ninguém pode atingir qualquer grau de santidade se Deus não trabalhar na sua vida, mas também é absolutamente certo que ninguém a atingirá sem esforço da sua parte.”
Diante do exposto, se você ainda tem dúvidas sobre qual é a vontade de Deus para sua vida, a própria Bíblia responde a esta pergunta: “Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação […] porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação” (1Ts 4.3, 7).
Ou seja, a vontade de Deus para sua vida é que você viva uma vida separada para ele (Hebreus 12.14).
Referências:
BRIDGES, Jerry. A busca da santidade. Editora Monergismo, 2017. E-book Kindle. p. 20.
PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro:
CPAD, 2006.
WILKIN, Jen. Renovadas: 10 maneiras de refletir os atributos de Deus. Editora Fiel, 2019. E-book Kindle. p .20.
Descubra mais sobre Instituto Genebra de Estudos Reformados
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


Deixe um comentário