CRISTO, O MEDIADOR.
A encarnação de Jesus representa um aspecto do estado de humilhação do nosso Salvador. Por outro lado, neste mesmo instante ele tomou para si novos títulos e ofícios como nosso Mediador. Como o homem ideal, Cristo funcionou como profeta, sacerdote e rei. Cada uma dessas posições são de mediação. Cristo é o mediador da Nova Aliança (1Tm 2.5).1
Como mediador, Cristo exerceu três ofícios de mediação entre Deus e o homem: São estes: Profeta, Sacerdote e Rei. Como diz a Confissão de Fé de Westminster (doravante CFW):
- Aprouve a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, o Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua Igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do mundo; e deu-lhe, desde toda a eternidade, um povo para ser sua semente, e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.2
Assim como Moisés foi o mediador do Antigo Pacto, Cristo é o mediador do Novo Pacto (CFW 7.3,4). Embora tenha feito a mediação do Antigo Pacto, o trabalho de mediação de Moisés não foi de reconciliação final. Seu principal trabalho era como porta-voz de Deus. Ao contrário de Moisés, Cristo teve como mediador o trabalho de reconciliação, dar um fim à alienação entre Deus e as pessoas. Nosso estado caído nos coloca em oposição a Deus. Agradou a Deus tomar a iniciativa para acabar com essa alienação perigosa nomeando Cristo como nosso mediador.3
Assim, ao encarnar Cristo assumiu os ofícios de profeta, sacerdote e rei. Como escreveu Chad Van Dixhoorn (Cultura Cristã, 2017):
- Ele foi promovido como um profeta maior do que o próprio Moisés (At 3.22). Ele foi declarado um sumo sacerdote eterno, que ofereceria o sacrifício definitivo para acabar com todos os nossos pecados em todos os tempos (Hb 5.5-6). Ele foi estabelecido como um rei em Sião, e o seu reino não terá fim (Sl 2.6; Lc 1.33). Como profeta, ele é o nosso mestre. Como sacerdote, ele é o nosso mediador e nossa única esperança. Como rei, ele é nosso defensor e governante.4
A seguir, vamos apresentar cada um desses ofícios de Cristo como se nos é apresentado no Catecismo Maior de Westminster (doravante CMW). Não será nosso objetivo explicar com mais detalhes cada pergunta. Nosso alvo é apenas oferecer ao leitor uma visão geral de cada ofício segundo o CMW se nos apresenta. Não deixe de ler os textos bíblicos para maior edificação.5
CRISTO, O PROFETA.
Pergunta 43: Como Cristo exerce as funções de profeta?
Resposta: Cristo exerce as funções de profeta revelando à Igreja,[1] em todos os tempos, pelo seu Espírito e Palavra,[2] por diversos modos de administração,[3] toda a vontade de Deus,[4] em todas as coisas concernentes à sua edificação e salvação. [5]
[1] Jo 1.18; [2] 1Pe 1.10–12; [3] Hb 1.1–2; [4] Jo 15.15; [5] Ef 4.11–13; Jo 20.31.
CRISTO, O SACERDOTE.
Pergunta 44: Como Cristo exerce as funções de sacerdote?
Resposta: Cristo exerce as funções de sacerdote por ter oferecido a si mesmo uma vez em sacrifício, sem mácula, a Deus,[1] para ser a reconciliação pelos pecados do seu povo,[2] e fazendo contínua intercessão por ele.[3]
[1] Hb 9.14,28; [2] Hb 2.17; [3] Hb 7.25.
CRISTO, O REI.
Pergunta 45: Como Cristo exerce as funções de rei?
Resposta: Cristo exerce as funções de rei chamando do mundo um povo para si,[1] dando-lhe oficiais,[2] leis[3] e disciplinas, para visivelmente o governar;[4] dando a graça salvadora aos seus eleitos;[5] recompensando a obediência deles[6] e corrigindo-os por causa dos seus pecados;[7] preservando-os e sustentando-os em todas as suas tentações e sofrimentos;[8] restringindo e vencendo todos os seus inimigos;[9] e, poderosamente, dirigindo todas as coisas para a sua própria glória[10] e para o bem do seu povo;[11] e também castigando os que não conhecem a Deus nem obedecem o evangelho.[12]
[1] Is 55.5; Gn 49.10; [2] 1Co 12.28; [3] Jo 15.14; [4]Mt 18.17–18; [5] At 5.31; [6] Ap 22.12; [7] Ap 3.19; [8] Rm 8.37–39; [9] 1Co 15.25; [10] Rm 14.11; [11] Rm 8.28; [12] 2Ts 1.8; Sl 2.9.
CONCLUSÃO.
Neste artigo, vimos os ofícios de mediação assumidos por Cristo em sua encarnação. Cristo é o nosso profeta, sacerdote e rei. Ele nos ensina, intercede e governa sobre nós. Ele cumpriu satisfatoriamente essas funções, a fim de fazer a reconciliação entre Deus e o homem. Não deixem de ler os textos bíblicos para uma maior edificação.
BIBLIOGRAFIA.
Assembleia de Westminster, A Confissão de Fé de Westminster. 17ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
Assembleia de Westminster, O Catecismo Maior de Westminster. São Paulo: Cultura Cristã, 2013.
BERKHOF, Louis, Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.
DIXHOORN, Chad Van, Guia de estudo da Confissão de Fé de Westminster. São Paulo: Cultura Cristã, 2017.
SPROUL, R. C., O que é teologia reformada. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.
NOTAS.
1BERKHOF, Louis, Manual de doutrina cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2012, p. 149; SPROUL, R. C., O que é teologia reformada. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 77.
2Assembleia de Westminster, A Confissão de Fé de Westminster. 17ª ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 73,74.
3SPROUL, op. cit., p. 76.
4DIXHOORN, Chad Van, Guia de estudo da Confissão de Fé de Westminster. São Paulo: Cultura Cristã, 2017, p. 130.
5Assembleia de Westminster, O Catecismo Maior de Westminster. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, passim.

Os três ofícios de Cristo: Profeta, Sacerdote e Rei sob CC BY-NC-ND 4.0, © 2022, 2024, 2025 por Instituto Genebra de Estudos Reformados.
[Nota do Editor: Artigo atualizado em junho de 2024. Publicado originalmente em 27 de Abril de 2022].
“Pela palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo” (Ap 1.9).
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