Por Pedro Lucas Dulci
Existe uma linha muito sutil que separa a soberania diferenciada de cada esfera da vida e um dualismo atávico que parece não abandonar a presença pública evangélica no Brasil.
A frase que dá título a minha brevíssima reflexão espantaria qualquer um dos nossos antepassados teológico-políticos.
As observações de Kuyper no Parlamento ou de Bavinck nos Estados-Gerais seriam desconcertantes — até mesmo embaraçosa — para alguns evangélicos que insistem em manter a Bíblia em foro tão íntimo.
A teologia na esfera pública era traduzida e aplicada para as circunstâncias sociais do momento, mas de forma alguma antagonizada de maneira maniqueísta — como se fosse possível pensar despir-se do cristão enquanto primeiro-ministro.
Ficaríamos estarrecidos com as francas críticas que Prinsterer fazia abertamente à incredulidade durante a Revolução francesa — o nome do Partido Antirrevolucionário não era um cosmético para diferenciá-los dos progressistas. Suas posturas eram abertamente confessionais!
Poderia passar o resto do post lembrando vários outros exemplos, de Calvino a King Jr., passando Wilbeforce e tantos homens e mulheres comprometidos com as Escrituras para além de sua vida particular.
Quem acertou como uma flecha esse fenômeno que estamos assistindo foi James K. A. Smith quando falou à Universidade de Kampen: “em nome da ‘justiça pública’, reduzimos o que conta como ‘verdade política’ de maneira que efetivamente descartam a especificidade que conhecemos por revelação especial. Mas, mais especificamente, por causa de um desejo descomunal de não se “assumir”, nós encolhemos para uma espécie de minimalismo em nosso engajamento público que ou apenas pede “um lugar à mesa” ou que a sociedade nos dê um espaço no canto da sociedade, para seguirmos o que entendemos ser vidas bem vividas”.
Todo tipo de “acrobacias teológicas” são feitas para justifica uma presença pública “neutra”…
“‘Nos dê um lugar na mesa’. ‘Nós não vamos incomodar vocês’. ‘Não seremos tão desajeitados a ponto de invocar Jesus. Entendemos as regras: prometemos apenas invocar a verdade ‘politica'”.
Pedro Lucas Dulci: Filósofo e pastor presbiteriano, é casado com Carolinne e pai do Benjamim. Tem doutorado em Filosofia pela UFG com período de pesquisa na Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda. É cofundador e coordenador pedagógico do Invisible College, além de pastor da Igreja Presbiteriana Bereia, em Goiânia. Atualmente está cursando o Doutorado em Ministério pelo Missional Training Center, sob a supervisão do professor Michael W. Goheen. Se interessa por filosofia contemporânea, teologia bíblica e ministério pastoral.
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