“Transitório é o tesouro deste mundo,
Toda a sua soberba, pompa e ostentação;
Alegrias sólidas e tesouro perene
Ninguém conhece senão os filhos de Sião“
John Newton (1725-1807).
Neste ano (2017) a jovem editora evangélica Visão Cristã publicou o livro E se Deus for contra nós? O livro tráz a transcrição de alguns sermões e palestras do Rev. Augustus Nicodemus Lopes nos Encontros da Consciência Cristã da Vinacc.
O capítulo 4 é intitulado Por que Deus permite o sofrimento, e é baseado no Salmo 88, o salmo mais triste da Bíblia. Na parte final do capítulo, o Rev. Augustus apresenta cinco pontos que ele acredita serem os motivos pelos quais Deus permite o sofrimento. Não é meu objetivo – e nem o do Rev. Augustus – discutir a questão da origem do mal. Poderemos discutir isso em outro momento.
Quais são os motivos pelos quais Deus permite o sofrimento? O Rev. Augustus sugere estes:
1º – O céu não é aqui.
Augustus Nicodemus diz que “aqui é aquilo que Davi descreve no Salmo 23, o vale da sombra da morte”. Ele ainda diz que o problema é que nos acostumamos com este mundo, esquecendo-nos que estamos aqui por pouco tempo. De fato, não devemos esperar coisas boas aqui neste mundo. O Senhor Jesus deixou claro que passaríamos por aflições, e que devemos somente ter bom ânimo porque ele venceu o mundo (Jo 16.33). Nicodemus encerra essa parte com a seguinte frase: “Deus nunca prometeu uma viagem tranquila, mas ele prometeu uma chegada certa!”.
“Deus nunca prometeu uma viagem tranquila, mas ele prometeu uma chegada certa!”
Os grandes homens de Deus do passado entenderam isso. Eles compreenderam que o céu não é aqui. Basta ler o livro de Atos dos Apóstolos para ver os muitos sofrimentos que os apóstolos passaram por serem cristãos. A história da Igreja mostra muitos outros relatos dos sofrimentos de muitos homens de Deus.
2º – O sofrimento é consequência do pecado.
O Rev. Nicodemus diz que acredita que “Deus permite o sofrimento, aqui, para que lembremos da seriedade do pecado e de suas consequências”. O pecado é a origem dos males que nos sobrevêm. Todo pecado tem sua consequência. Basta olharmos para nossa própria vida e perceberemos isso. O autor ainda diz: “O sofrimento é o resultado da queda, da desobediência da nossa raça, e Deus permite que sintamos isso para que percebamos a seriedade do pecado e de suas consequências […]”. As consequências do pecado são tão graves que levou Deus a enviar seu Filho: “Deus deseja que seu povo entenda e perceba a seriedade do pecado e as graves consequências de pecado, a ponto de ele ter que mandar o seu Filho para nos redimir, raça rebelde”.
“Deus permite o sofrimento, aqui, para que lembremos da seriedade do pecado e de suas consequências”
Lendo Gn 3.16-19 percebemos a realidade da consequência do pecado. Sentimos essas consequências até hoje, seja em menor ou maior grau. Acho interessante o texto de Lm 3.39, que diz: “Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixa-se cada um dos seus próprios pecados”. O que me chama a atenção é o contexto em que Jeremias escreveu o texto. O povo de Judá insistia em procurar outros deuses, quebrando a aliança que havia sido estabelecida entre o povo e Deus lhes enviou muitos profetas para levar sua mensagem a fim de o povo se converter. Mas mesmo assim o povo não se arrependia e continuava na idolatria. Deus então lhes enviou como escravos para Babilônia. Por conta de seus pecados, o povo foi tornado escravo, e agora estavam se queixando disso. O profeta, então, lhes diz: “Vocês estão reclamando de quê? Vocês estão passando por este sofrimento por causa dos pecados que vocês cometeram!”.
3º – Dependência de Deus.
“Deus quer mostrar o quanto dependemos de Deus, o quando necessitamos dele”, diz o Rev. Nicodemus. Dependemos de Deus para tudo. Quando passamos por algum sofrimento é que nos sentimos vulneráveis. São nesses momentos que percebemos o quanto somos dependentes de Deus. Pois quando está tudo bem, tudo em perfeita ordem, esquecemos de Deus e vivemos como se não dependêssemos dele. Mas quando o sofrimento bate à nossa porta, nos vemos sozinhos. Lembremo-nos sempre o que disse o salmista: “Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em quem eu me compraza na terra. Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.25,26).
No sofrimento “Deus quer mostrar o quanto dependemos de Deus, o quando necessitamos dele”
4º – Aprender a orar.
Neste ponto o Rev. Augustus diz algumas verdades: “Crente só ora quando sofre”, “Crente só ora em tribulação”. Tudo isto é verdade, ainda que infelizmente. Como eu disse no ponto anterior, quando tudo está bem em nossa vida nos esquecemos de Deus. Mas quando estamos em tribulação, corremos aos pés do Salvador em busca de ajuda. O sofrimento nos ensina a orar. As dores, os sofrimentos, as tristezas e toda sorte de males nos levam a orar. Deus usa estas coisas para se nos levar a ele.
“O sofrimento nos ensina a orar”
Há nas Escrituras diversas passagens que mostram homens de Deus que, por conta de angústias, buscaram ao Senhor em oração:
- 2Samuel 22.7: Na minha angústia, invoquei o Senhor, clamei a meu Deus; ele, do seu templo, ouviu a minha voz, e o meu clamor chegou aos seus ouvidos.
- Sl 18.6: Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos.
- Sl 107.6: Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.
- Sl 118.5: Em meio à tribulação, invoquei o Senhor, e o Senhor me ouviu e me deu folga.
- Sl 120.1: Na minha angústia, clamo ao Senhor, e ele me ouve.
- Jn 2.2: e disse: Na minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me respondeu; do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz.
5º – Os sofrimentos de Cristo foram maiores que os seus.
Cristo está presente no Antigo Testamento através de figuras símbolos, tipos, instituições e eventos. O Rev. Nicodemus diz: “Os sofrimentos de Hemã [descritos no Salmo 88] não chegam nem próximos se comparados aos sofrimentos de Cristo por você. Por isso, quando você estiver sofrendo, pare de se queixar de Deus, não fique ressentido, tire a mágoa do seu coração e lembre que muito o Senhor Jesus sofreu por você, para que você pudesse se reconciliar com Deus”. Cristo é descrito nas Escrituras como “homem de dores”. Cristo suportou todo aquele sofrimento descrito nos evangelhos sem reclamar. O que faz você pensar que pode, então, reclamar?
“O Senhor Jesus sofreu por você, para que você pudesse se reconciliar com Deus”
Bibliografia.
LOPES, Augustus Nicodemus, E se Deus for contra nós? Campina Grande, PB: Visão Cristã, 2017, p. 94-97.

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Baseado no trabalho disponível em https://institutogenebra.wordpress.com/2017/12/25/teologia-de-guardanapo-07-por-que-deus-permite-o-sofrimento/.
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